A antiga arte da Caligrafia, reinventada

Desde a criação da escrita a caligrafia sempre foi uma forma de arte que representa muito mais do que o texto escrito. Ela identifica a época, o local e a cultura dos povos que a produzem, e funciona como um DNA da História da humanidade. Da milenar escrita cuneiforme dos gregos e egípcios, passando por séculos de transformação em suas formas na idade média até a tipografia em matrizes de chumbo e as typefaces da era digital, a nossa identidade caligráfica atual pode ser representada pelas artes gráficas, nas mais diversas mídias. Mesmo considerando a tipografia contemporânea como uma expressão artística dos designers atuais, sempre há os que vão além das fronteiras e se aventuram no desconhecido, reinventando as técnicas e contextualizando sua expressão no mundo moderno. A caligrafia artística é uma forma de Arte que nunca perde o fascínio, e tanto o produto final quanto o processo de pintar as letras sempre nos impressiona. A mais recente edição da Revista Gráfica, do legendário designer brasileiro Oswaldo Miran, traz o trabalho de Cláudio Gil em destaque na capa e numa matéria que mostra a fusão do design moderno e uma Arte antiga, que pode usar os mais diversos suportes, desde o tradicional papel, passando por mobiliário, tatuagens, vidros até os muros da cidade.

 

E há os que extrapolam mesmo e fazem da caligrafia uma performance, um espetáculo apresentado em sala de teatro, como o calígrafo Julien "Kaalam" Breton que apresentou sua arte no Abu Dhabi Awards.

Como nós somos curiosos por natureza, nada melhor que ver o processo em um making of, em seus trabalhos de caligrafia luminosa com a parceria do fotógrafo David Gallard:

Outros como o artista Niels Shoe Meulman seguem por outros caminhos, de grafitar uma Mercedes em seu lançamento a pintar as paredes sombrias de um galpão para apresentar o projeto Calligraffiti, em Amsterdam na Holanda, sua terra natal.

Nas mãos de um artista experiente, até mesmo uma vassoura e um balde de água servem como instrumentos onde a caligrafia se torna video-arte, numa obra feita para evaporar.

E numa quase impensável fidelidade ao tradicionalismo, David A. Smith utiliza os mesmo materiais do início do século passado para criar letterings em vidro, usando pintura à mão e aplicação de folhas de ouro e lapidação artesanal, em um video que enche os olhos, tanto pela beleza e poesia do filme de Danny Cookeem uma fotografia espetacular, como pela surpresa de ainda existirem artistas que preservam os métodos e técnicas do passado, trazendo algo da era Vitoriana para a nossa era digital.




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